

Prometo não ser chato desta vez e não me delongar sobre o trânsito para chegar, a dificuldade para estacionar, as filas no bar e os comentários verdes e rasos do show About us, domingo. Em se tratando de música, o que vimos foi som da melhor qualidade. Cheguei no fim do Ben Harper, que foi bacana. Mas, ao ar livre, não deu para sentir aquela força toda do ano passado, no Via Funchal. O show da Dave Matthews Band foi muito bacana. O cantor consegue manter os timbres de voz do CD, a banda animou bastante (embora pareceu-me longe da qualidade da banda do BH no ano passado) e não faltaram os hits pegajosos. Foi menos “feelings”, como diz o Rô, e mais pegada. Umas boas levadas de jazz e rock. O maior momento foi a união de DMB e BH tocando o clássico All along the watchtower, de Bob Dylan e tantas vezes regravada. vai abaixo
Apesar das constantes críticas que fazemos aos altos preços dos ingressos sempre damos o "nosso jeitinho" e estamos presentes em quase todos os shows que queremos. E às vezes esse quase excesso me causa alguns questionamentos.
Há pouco mais de um ano escrevi aqui o post “Arte tem preço”, baseado em um estudo da Universidade de Chicago e na obra de Damien Hirst. Semana passada, no meio do maior auê financeiro em décadas, Hirst vendeu obras a dezenas de milhões de dólares. Enquanto bancos com mais de um século de idade cambaleavam, o artista arrecadou R$ 359 milhões em 24 horas. Andei lendo muito sobre o assunto. Há críticos que dizem que Hirst consegue vender "uma obra de merda" por uma nota e outros que dizem que o fato evidenciou que o preço da arte não tem relação com a chamada economia real. O melhor texto que li foi este, do Aliás, do Estadão, que bem questiona as somas suntuosas que Hirst tem arrecadado e defende a tese de que o preço comercial da arte tem relação, sim, com a quantidade de riqueza das pessoas. A meu ver, se há um ano Hirst era o símbolo máximo de um artista que sabia se vender, a bolha financeira fez com que ele se tornasse, agora, o ícone da ostentação e da avareza capitalistas. Se, neste momento a economia se apega em fundamentos para justificar o valor de ações, títulos e empresas, logo logo nas artes serão feitos questionamentos mais profundos sobre os "fundamentos" que justificam o valor de determinados artistas. Será a prova de fogo para a arte contemporânea. O mundo já percebeu que arte tem preço, mas perceberá que esse preço tem limite? Daqui a mais um ano, volto ao assunto.
É tudo que eu posso dizer da peça "Doce Deleite"que está em cartaz em SP. A Camila Morgado segura a peça e ele comprova a teoria de que ator tem que ser muito bom pra fazer teatro e não é tão complicado assim fazer televisão. A peça tem bons momentos e proporciona boas risadas. Mas a sensação que se tem é que a casa está cheia porque todo mundo quer ver o galã de roupa justa... Será que foi só impressão?
Agora dá pra assistir TV da internet pela TV. E eu vi que a BrasilTelecom já está nessa, oferecendo o VOD (Video On Demand). Dei uma fuçada no site, porque às vezes os 60 canais da NET parecem pouco. E pode ser interessante, tem filmes, documentários, videoclipes e até karaokê (confesso, que essa foi a parte que achei mais curiosa). Mas tem um monte de restrição e exigências como:

A ponte aérea tem sido passagem quase obrigatória das minhas semanas. Na grande maioria dos vôos, diria 98%, eu capoto antes mesmo do avião subir. Acho que essa é uma defesa do meu organismo que não gosta nem um pouco dessa história de voar. Ele sempre fica achando que alguma coisa pode acontecer e que tudo pode desaparecer. Mas beleza, um Pai Nosso e uma Ave Maria e vamos pro rock, como se diz por aí.
Só pode ter sido por isso. Porque eu achei o show da Laurie Anderson uma bela droga. Como música o show dela é um belo recital. Entendeu? Pra vocês terem noção da complexidade, tinha até legenda pra gente entender tudo que tava rolando. Eu achei too much. As letras efetivamente são lindas e impactantes, mas adoraria tê-las lido e não escutado. O pior foram os comentários ao sair - a complexidade do efêmero do eterno da densidade humana... Preguiiiiiiiiiiiiiiiiiça. Uma referência para os roqueiros de plantão - ela é mulher do Lou Reed do Velvet Underground.
Essa dica é velha, e continua muito atual. Se você nunca foi, vá. Se você já foi, economize na semana que vem, porque merece. Aproveito para indicar o Studio SP. Ótima opção de noitada na cidade. A cerveja é um pouco cara, mas pelo menos é trincando de gelada. Só um passeio pela Rua Augusta (onde eles se localizam) já vale demais!

O trio parada dura do VTNZ em versão mangá. Se gostou entra no site http://www.faceyourmanga.com/ e faça a sua versão oriental. Diz aí, não somos um casal de três fofura?
“O Mistério do samba” é mais um documentário ruim sobre músicos muito bons. A produção de Marisa Monte, a filha do Jabor e um sobrinho do Chico parece aquele documentário “lá em casa”, de gente que não se dedicou tanto ou não tem conhecimento de como explorar bem o material em mãos. Bom, o filme é sobre a Velha Guarda da Portela, bem naquele pique Win Wenders, com entrevistas espaçadas com músicas, mas sem andar um milímetro a mais. Tem todos os velhinhos que fizeram os ótimos sambas da escola de Oswaldo Cruz, mas, pasmem, não há uma cena de desfile na Sapucaí. Sim, é um documentário sobre uma escola de samba sem um carnaval. Não tem sequer uma imagem da águia da Portela. Tem Paulinho da Viola, mas não tem “Foi um rio que passou em minha vida”, maior homenagem à escola. Eles descobrem documentos e letras históricas, mas não rolou um scanner, para apresentar aquilo de maneira decente. E as gravações encontradas são captadas em áudio ambiente, sem um trabalho para jogar aquilo direto no vídeo. O conteúdo é ótimo. Os sambas, as histórias, os personagens... Impressionante como o samba mantém aqueles velhinhos vivos, sãos e felizes. Mas isso não faz do filme um bom documentário. Faz um bom relato sobre a Velha Guarda da Portela. Mais nada.

Eu lembro como se fosse hoje. Em uma manhã de dezembro fiz meu pai ir comigo às 9h da manhã na C&A do Shopping Iguatemi para comprar os ingressos para o primeiro show do U2 no Brasil, nos idos de 98. E a batalha não terminou por aí, dia 29 de janeiro - aniversário de papi - cheguei meio dia no Morumbi e fiquei naquela fila, no sol, fazendo amizade, pensando no set list e ansiosa pelo momento em que os portões se abririam. E quando eles se abriram me joguei na grade e chorei e cantei todos os hits e queria muito ter sido chamada para o palco e me contentei ao pegar uma das milhares de pétalas brancas que eles jogaram no final da noite.

